28/03/2026

Maternidade: Desromantizando o Cuidar Através da Psicanálise

Ser mãe não deve apagar as outras facetas de você. Analise com este olhar o esgotamento maternal, a culpa contemporânea e como ressignificar pressões sociais num lugar terapêutico validativo.

Maternidade: Desromantizando o Cuidar Através da Psicanálise

“Ser mãe é padecer no paraíso”, ecoa a literatura clássica e as redes sociais. Este adágio repete-se perpetuamente nas esferas de uma forma muito enraizada em mentes que carregam nas costas essa cobrança insondável. O problema em se instituir de maneira sacralizada as obrigações para a criação exaustiva não nos abre brechas pra vivenciá-la nas oscilações habituais. A dor é severamente castigada se a mãe quiser em voz falar daquilo que não tem amor num dia nebuloso. Esperam total subordinação de suas outras identidades e que seus desejos como mulher simplesmente estanquem ante esse novo pedestal erguido da figura maternal sublime, imaculada e infinitamente abnegada.

As Faces Sombrias e Amordaçadas na Realidade Diária

A psicanálise trata as mulheres que enfrentam este momento com atenção à dualidade de toda relação afetiva que forma uma família humana. Pelo contrário da premissa comercial “quando nasce um bebê, nasce magicamente alguém apta em todos os instintos e disposta eternamente a qualquer doação”, o que percebemos é o desenvolvimento vertiginoso da exaustão generalizada nas relações domésticas e das lacunas emocionais causadas pelos silenciamentos absolutos ao nosso esgotamento físico e demandas mentais. As demandas contínuas, seja no seio maternal lactante (nos casos primordiais), na fase dos medos (toddlers) até a adolescência, exsudam a sobreposição desproporcional do instintivo, revelando a carga histórica mental depositada estritamente às genitoras.

A Culpa Sendo a Parente Constante de Casa

A angústia surge em sua plenitude num embate contundente: entre quem de fato você se tornou no ambiente hostil materno, cheio de erros inerentes ao aprendizado contínuo — com raivas veladas dos longos choros que ferem a capacidade dos nervos - e em contraposição a esmagadora projeção do ideal de pureza em mídias. Do choque e do divórcio destas duas faces irreconciliáveis brota e ganha raiz as culpas infinitas. Este fardo e sensação de incompetência são potencializados de forma nociva nos casos onde há escassa parceria de divisão igualitária nas atribuições estruturais infantis em sua criação na parentalidade bi-direcionada — quando uma figura supre todos os pólos enquanto as outrem delegaram suporte apenas circunstancial ou complementar para si de modo optativo.

As Contradições Sem Ferozes Punições e Espaço Seguríssimos

Não podemos e não devemos descaracterizar a força motriz do amor materno sublime ou os vínculos fortes; eles habitam, prosperam, crescem imensamente na vivência. No entanto — assim ensina Sigmund e as escolas europeias das subjetividades infantis, notadamente o olhar revolucionário sobre relações da médica existencialista britânica D.W. Winnicott - reconhecer que simutaneamente abrigamos impulsos agressivos em nossos dias exaustos — do ímpeto ou das queixas ríspidas dos sacrifícios cobrados sem nenhuma validade temporal para nossa antiga individualidade - se faz estrutural para manter sã nossa convivência entre todos envolvidos.

Ao ter no tratamento do setting na analista acolhedora para confessar a total vontade e exaustão “daquilo quer num certo e duro instante poder entregar para devolvê-los”, nos defrontamos pela libertação ao poder relatar nossa falta brutal ao invés do nosso instinto sublime na lida primária. Não nos invalida o fato se afirmarmos amar brutalmente, sendo entretanto completamente hostilizados simultaneamente a qualquer processo árduo cotidiano aos afazeres contíguos de um filho dependente. Entender o cansaço como natural constrói a quebra da obrigatória imaculada mulher - revalidando as dores das lacerações, o resgatamento com seus lares perdidos íntimos femininos num retorno sem remorsos iminentes!

Precisa despir os trajes ilusórios a qual a pressionaram nas dobras deste cuidado sufocante de não viver como sujeito das suas ações diurnas enquanto cuida num contexto com enorme carga pesada em demasia aos propósitos singelos e práticos a se exercer como pessoa de novo

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